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Imagem: Iberê Camargo

 

 

Era uma rua torta
Que eu varava ligeiro
Atrás das andorinhas
E toda a gente assistia
Das poltronas e varandas
Porque naquela cidade
As portas e as janelas
Passavam os dias abertas
E só se fechavam à noite
Por causa dos pernilongos.

Nada naquele lugar
Oferecia perigo
A não ser o de criar
No espírito aprendiz
A ingênua fantasia
De um mundo sem paredes
E corações sem tramelas
Repletos de ruas tortas
E bandos de passarinhos.

 

 

© Ádlei Duarte de Carvalho