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Imagem: Cecilia Cassal

Eu não sei em que ponto da frase parei, mas a palavra naquela hora se esgueirou pra fora de mim. Acho que quase a senti, e não era pelas pontas dos dedos, como eu achei que a palavra, como a água e a areia, escaparia de mim. Na verdade, eu senti quando ela subiu, roçando os lados do corpo, o flanco esquerdo, de baixo para cima, volteou pelo braço e enroscou no pescoço ainda um tempo. Depois, mais nada. O estranho é que um dia imaginei que ela dormiria comigo em algum jazigo perpétuo, mas nada! Que ela viraria alga comigo, flutuando pelos mares. Nada! Divorciou-se de mim antes mesmo que eu registrasse alguma união. E agora Carlos, o Cláudio, me convida. Que faço eu da minha alegria, de alguma vaidade (mesmo sem a palavra, ainda preciso da ilusão de alguma verdade), da vontade de estar entre estes a quem admiro? Posso prometer tentar, isso sim, chamá-la de volta. Posso?

© Cecilia Cassal