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Uma tempestade se avizinha. Um fim de tarde abafado onde uma tempestade se avizinha e parece anunciar o dilúvio. Se não muito, ao menos, antevejo o meu naufrágio ali. Sim, parece ser isso o prenúncio das coisas que se esvaem no próprio cansaço, certas da própria ruína, de que mais nada podem. Lembro um livro onde uma tempestade feito essa também rondava um homem. Ele dizia a tarde é quente e o horizonte vem carregado de sombras, e eu pensava, cá comigo, que diabos de homem esse a contemplar a rotina enquanto agoniza, a ponto de desmoronar… Fecho o livro, um João Gilberto Noll compulsivo; aquele que me fazia suspirar e duvidar se, de fato, eu vivia ou delirava agora que me ergo do banco e me ponho a caminho, de onde não sei, pois me apresso a me esconder sob uma marquise, ali mesmo, como que a aguardar que tudo se precipitasse e viesse ao chão, inclusive eu, por que não? Os primeiros pingos alvejam o chão, me pergunto quando tudo se dará: Quando?

© Fábio de Souza