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Imagem: Lucian Freud

 

Era preciso então só começar para que tudo se desarranjasse. Um primeiro gesto, arcaico, corroído pela raiva, quase impensado: a mão que se desprende do tampo da mesa e se ergue guindada pelo braço longo e forte. E depois um estalo. Um ai agudo que se prolonga na memória durante anos e anos, como uma faca que fosse penetrando lenta e meticulosa a alma, para dentro sempre, no mais profundo do ser, aí, onde o carnegão se formou.
Foi a partir dessa fenda aberta na alma que ela começou a vazar.

 

 

© Geraldo Lima

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