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Imagem: Mário Gruber

 

não é de amor
que são feitos nossos laços
nossos braços são vertidos da aurora
de toda manhã de sol assistida pelos finos
cantos dos galos cabralinos e absorvida pela
pele descamada das cobras paradoxais

mas o homem assiste a tudo
calado esperando o novo alvorecer
lírico das poesias cerebrais:

a erupção irrompe todo coração
que lhe é inerente
menos os sentimentos esses
nascem das deturpações econômicas
o niilismo que busca e dá forma
a tudo que é sensível e humano

quanto ao poema é designado
o que é terno e sublime
e a felicidade paira em volta
das criações filosóficas:
a beleza vem com o pouco siso
dos pingos finos das chuvas de inverno
e todos os entes invejam aquilo
que nos torna ao mesmo
tempo líricos e mundanos

 

© Ian Lucena