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Buenos Aires (imagem da internet)

Buenos Aires, inverno: e eu meio que assumia o papel do desamparado, do homem sem traquejo algum. Aquele ao dar ali parado, à procura de um táxi que o pusesse em trânsito outra vez mais. Tive receio em abrir a boca e ouvir ali não a minha voz, mas outra, alheia, e constatar que eu não era mais que outro, recém-chegado. O corpo que me acompanhava desde o início, agora parecia carregar consigo o cansaço todo da viagem. Senti-me nauseado. Foi ao desembarcar no saguão do aeroporto, recuperar a pouca bagagem que levava comigo, caminhar um tanto até achar a saída, e dar com um dia gelado e encharcado; foi ali, com o papel de um endereço no bolso, me perguntando se tudo daria certo, ou se eu fracassaria outra vez mais em minhas investidas, ali me dei conta, enfim, sozinho no país, um nome apenas a procurar; um nome, que me diria de meu destino, então, e pronto, sem mais recorrer qualquer que fossem as forças que me parecessem comuns à minha antiga vida, e que de pronto me fornecessem algum subsídio àquela minha empreitada brusca naquele país que eu mal sabia falar a língua e que agora eu tomava como morada; foi nisso que me dei conta do quanto me sentia estranho ao pisar os pés ali. Levantei o braço, sem muita convicção do que fazia. O táxi parou. Dei o endereço. E segui, o vazio na boca do estômago.

© Fábio de Souza