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Henri Matisse

 

 

 

 

Encontrei Dona Biju, certa ocasião, debruçando sobre A Travessia, meu primeiro romance publicado, os seus atentos olhos de 1918.

Íris e pupilas bailavam suavemente nos seus olhos – olhos ainda de menina – e se agarravam às palavras qual a criança ao seu brinquedo.

Adentrei a sala e ela, completamente absorta, entretida no livro.

Antes dos 90 anos, Dona Biju lia um livro por semana. Concedeu entrevista a um jornal, por isso. Fosse um turista tailandês que a surpreendesse ali, naquela mesma postura reflexiva, tão acometida das dores das pessoas que eu havia criado, teria dito:

— วิธีการอ่านคนบราซิล*

 (*Como lê o povo brasileiro!)

 

© Ádlei Duarte de Carvalho

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