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Pavel Titovich

que dos teus gestos
(os olhos semicerrando a ser sorriso)
chama leve, ar quente ou breve incêndio
a colher o espaço em volta,
jardins coretos prédios em chamas,
toda a cidade baixando os braços
para se te oferecer por completo
pois para ti, amanhecendo,
quaisquer poemas pouca força ou pouca casa que albergasse todo o teu modo
e, já to disse,
dentro de ti vou-me apagando sem ruído,
vai longe a morte e para ti só os poemas

(todos os reinos e toda a música
unicórnios candelabros de cristal
quase pouco ou muito pouco para te dar
mas são tesouros enterrados no meu sangue
à tua frente como jóias
cristais terríveis
dificílimas palavras cheias de ângulos
jogos e bricabraque
terras de fadas
que dos teus gestos me falha a língua
de confusa
e tão pesada
na constante maquinaria do teu nome).

© João Silveira

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