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Eu carregava comigo um bilhete. Nele a urgência de um encontro. Não lembro o que mais, acho que finzinho de Agosto, de modo que lá estava eu: enfiava a mão no bolso da calça e dedilhava aquela iminência com certa apatia, beirava mesmo o descaso, enquanto caminhava. Eu me perguntava o que de tão importante eu haveria de surrupiar desse instante em diante, onde eu me movia já com certa evasão de tudo, certo de que bem pouco eu podia com esses dias já a cabo de tudo. Sim, eu andava com dificuldades, os pontos fragilizados em meu peito. Eu dizia que não haveria mais tempo, nada que eu pudesse transpor com esse meu esgotamento, nada mesmo. Eu dizia isso baixinho, como que num breve surto. Um temporal se avizinhava, notei. Apertei os passos, para dali a pouco sentar, já exausto, no banco de uma igreja. Baixei a cabeça, numa prece silenciosa, e só então pude ver o sangue que se assomava em meu peito, o tecido branco da camisa já uma memória de instantes antes. Estremeci. Ali mesmo desejei a vida sem esses riscos extremados. E aguardei que alguém viesse ao meu amparo…

 

 

 

 

© Fábio de Souza

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