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Fotografia de Elizaveta Porodina

Fotografia de Elizaveta Porodina

 

 

Quando o sol se põe
as teorias fogem
e nascem as almas.

A noite nunca vem às claras.
Só há indícios de forma,
resquícios de antiluz.

Quando o sol se põe
todos os ratos são bardos,
os beatos bebem
e as virgens suam muito.

Toda falha é humana
quando o sol se põe.

Os animais se comparam,
os anjos procriam,
e os verbos habitam seu duplo sentido.

Me escondo nas ruas
e sinto muita sede.
Sofro a paz dos outros
e decido: ainda vivo
quando nasce o sol.

© Tony Saad

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