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(Novela de Cláudio B. Carlos)

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Como raro era o passar de carros pela fazenda – poucos eram os agregados que podiam privar de tal luxo –, eu fui, com o tempo, aprimorando a audição, a tal ponto que reconhecia os automóveis só pelo ronco do motor, sem dar uma espiadela sequer. O Padre-Nonno, orgulhoso desse meu “dom”, levava-me, às vezes, até o armazém do Seu Laurindo, e ficava a se exibir com os meus “dotes”.

— Lá vem um carro, guri. Vem cá. Escuta. Que auto é?

Eu, usando de todo o meu “poder de concentração”, era taxativo:

— Uma Brasília.

— Muito bem!

Todos em volta aplaudiam, passavam a mão na minha cabeça, pagavam-me doces e chocolates que eu, com as mãos nos bolsos das bombachinhas, desenxabidamente agradecia.

O Editor

 

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